Antes dos 2 anos, o tempo de tela com TV, celular ou tablet não é recomendado. A exceção fica para as chamadas de vídeo com pessoas queridas (SBP, 2024).
Bebê pode ver tela antes dos 2 anos?
A resposta curta é não. O tempo de tela (TV, celular, tablet) não é recomendado para menores de 2 anos (SBP, 2024).
Na rotina da casa, isso abrange todos os aparelhos com tela que o bebê costuma encontrar: a televisão da sala, o celular dos adultos e o tablet de um irmão mais velho. Ajuda conversar com todos que cuidam do bebê, como avós, babá ou a equipe da creche, para que a combinação seja a mesma em todos os lugares. Assim, ninguém precisa decidir na hora, quando o bebê está agitado e o celular está à mão.
No lugar das telas, o dia do bebê pode ser ocupado com movimento e com gente por perto. Aos 4 meses, a cartilha orienta dar tempo ao bebê para se movimentar e interagir com pessoas e objetos ao longo do dia, sem mantê-lo por muito tempo em balanços, carrinhos ou cadeirinhas (SBP, 2024).
Chamada de vídeo conta?
Não da mesma forma. Para menores de 2 anos, as chamadas de vídeo com pessoas queridas são a exceção à orientação sobre tempo de tela (SBP, 2024).
Para muitas famílias, essa exceção é o jeito de manter o contato com avós, tios ou padrinhos que moram em outra cidade, ou com o pai ou a mãe que está viajando a trabalho. Combinar um horário fixo ajuda a encaixar a ligação na rotina, num momento em que o bebê está acordado e a casa está mais calma. Deixar o celular carregado e apoiado antes de chamar o bebê faz a ligação começar sem pressa.
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Durante a chamada, quem está com o bebê pode apresentar a pessoa da tela pelo nome e contar o que ele fez no dia. Do outro lado, a pessoa querida pode cantar uma música conhecida da família ou mostrar um objeto da casa dela. Terminada a conversa, o aparelho volta para o lugar de costume.
Quanto tempo a partir dos 30 meses?
No máximo 1 hora por dia de programa infantil, com um adulto presente. A orientação vale para crianças de 30 meses e de 3 anos (SBP, 2024).
Na prática, a família pode escolher o programa com antecedência e definir em que parte do dia ele entra, para que a tela não apareça a qualquer momento. O adulto fica ao lado da criança enquanto o programa passa. Marcar o fim pelo término do episódio ou por um alarme deixa o limite mais claro para todos da casa.
O lugar da tela dentro de casa também entra na conversa. Aos 3 anos, a cartilha orienta não colocar tela no quarto da criança (SBP, 2024).
Por que evitar tela nas refeições?
A refeição sem tela faz parte das orientações para os 30 meses. Nessa idade, a cartilha orienta evitar telas durante as refeições (SBP, 2024).
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Para organizar a refeição sem tela, ajuda deixar o celular longe da mesa e a televisão desligada antes de servir o prato. Ter à mão os talheres da criança, um guardanapo e um pano para limpar permite que o adulto fique sentado junto, sem levantar a todo momento. Quando mais de uma pessoa cuida da criança, vale combinar que a regra é a mesma em casa e na casa dos avós.
O que fazer no lugar da tela?
No lugar da tela, entram conversa, brincadeira, leitura e música, com dicas diferentes para cada idade. Aos 2 meses, a cartilha orienta conversar, ler e cantar para o bebê, responder com animação, sorrir e falar quando ele emite sons, e dedicar tempo a abraçá-lo e segurá-lo, o que o ajuda a se sentir seguro. Aos 4 meses, as dicas incluem dar brinquedos fáceis de segurar, como chocalhos ou livros de pano com figuras coloridas, e oferecer oportunidades seguras para o bebê pegar e chutar brinquedos e explorar o que está ao redor (SBP, 2024).
Aos 6 meses, a cartilha sugere brincar de “vai e vem” (quando o bebê sorri, o adulto sorri; quando ele faz sons, o adulto copia), “ler” todos os dias olhando figuras coloridas e falando sobre elas, apontar coisas novas dizendo o nome delas e cantar e tocar música. Aos 9 meses, entram o “escondeu-achou”, a brincadeira de revezar, passando um brinquedo de um para o outro, e tirar blocos de um recipiente e colocá-los de volta. Também aos 9 meses, a orientação é repetir os sons do bebê e dizer palavras simples com esses sons: se ele diz “bobobo”, dizer “bola” (SBP, 2024).
Aos 12 meses, as dicas incluem falar ou cantar sobre o que se está fazendo (“mamãe está lavando as mãos”), responder com palavras quando o bebê aponta e dar potes, panelas ou um pequeno instrumento, como tambor ou chocalho, para ele fazer barulho. Aos 15 meses, a cartilha sugere deixar a criança ajudar em atividades do dia a dia, como pegar os sapatos para sair, cantar músicas com gestos e brincar com blocos, empilhando para ela derrubar. Aos 18 meses, as dicas são incentivar o faz de conta, como dar uma colher para a criança “alimentar” o bicho de pelúcia, fazer perguntas simples como “o que é isso?” e conversar de frente, na altura dos olhos dela (SBP, 2024).
Aos 2 anos, a cartilha sugere dar bolas para chutar, rolar e jogar, deixar a criança brincar de se vestir com roupas de adulto e fazer arte simples com lápis de cor ou tinta. Aos 30 meses, as dicas incluem incentivar a brincadeira livre, montar quebra-cabeças simples dizendo o nome de cada peça e brincar ao ar livre, em áreas seguras. Aos 3 anos, a orientação é ler junto e perguntar “o que está acontecendo na figura?”, ensinar canções e rimas simples e encorajar a criança a brincar com outras crianças (SBP, 2024).
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Leia também: brincadeiras simples para o bebê.
Quando procurar o pediatra
Os marcos de cada idade, dos 2 meses aos 3 anos, mostram o que a maioria das crianças (75% ou mais) consegue fazer. Em qualquer idade, se o bebê não alcança um ou mais marcos da idade, perdeu habilidades que já tinha ou se a família tem outra preocupação, a orientação é agir logo: conversar com o médico do bebê e perguntar sobre a triagem do desenvolvimento (SBP, 2024).
Para a consulta, vale anotar quanto tempo de tela a criança tem no dia, em que momentos ele aparece e se há tela nas refeições. Também ajuda levar escritas as dúvidas da família e os marcos que a criança já mostra em casa, com exemplos do dia a dia. Assim, a conversa com o pediatra parte do que a família observa na rotina.
Fontes
- Cartilha de Desenvolvimento de 2 meses a 5 anos, Sociedade Brasileira de Pediatria (Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento), tradução autorizada do programa “Aprenda os Sinais. Aja Cedo.” do CDC (EUA), 2024.




